Cinema brasileiro

Nos últimos três finais de semana assisti a três estréias de filmes nacionais: Como água - documentário sobre Anderson Silva, O início, o fim e o meio – documentário sobre Raul Seixas e por último o filme sobre a vida do fantástico jogador do Botafogo de Futebol e Regatas, Heleno de Freitas. Essa última se passa na primeira metade do século passado e é rodada toda em preto e branco: elogios ao diretor José Henrique Fonseca pois após o advento das cores no cinema existe um certo receio em fazer uso do pb que em alguns casos é imprescindível como em Raging Bull de Scorsese (1980) e recentemente em o premiado O Artista. Caso o leitor seja aficionado por futebol, recomendo mudar o foco pois a película se baseia muito mais no homem, na natureza humana e falível de Heleno.

Elenco de qualidade com Santoro emagrecendo 12 kilos para fazer a personagem em seu final de vida, internada com sífilis e solitária dentro de seus devaneios mentais.

Em minha singela opinião a trama peca em não ter investido mais na narrativa que poderia ter sido melhor elaborada. A história é boa e merece ser contada no cinema pois em livro já havia sido; retrata um Rio de Janeiro que não existe há muito tempo. No entanto, por vezes o andamento se torna enfadonho e as conexões não dão a liga que o filme merecia. De qualquer forma vale a ida à telona para ver mais uma história do aprisionamento da alma humana que tanto se repete mas que tanto nos fascina.

No caso do documentário sobre a preparação da luta do campeão Anderson Silva com Chael Sonnen, achei deveras oportunista. A mim me pareceu um “vamos aproveitar a popularidade do UFC” e fazer dinheiro com isso. Escrevo isso pois o filme parece que foi feito às pressas, de forma amadora, sem filmagem ou edição de qualidade. Para fãs de lutas e da personagem em questão como eu é inevitável assistir mas se o intuito do longa era captar novos interessados, falhou.

Já o sobre o excepcional artista baiano Raul Seixas é um arremedo de velhas peças de um quebra-cabeça. Pareceu-me aquelas colagens que fazemos no primário com recortes de antigas revistas. Há excelentes cenas, o filme merece ser visto pois há muitos que não fazem ideia do grande artista que tivemos mas dá a sensação de que poderia ter sido bem melhor. O material é bom mas a iluminação, fotografia e edição ficam muito a desejar. No entanto Raulzito salva o comprido documentário como o faria se ainda estivesse vivo.

Termino com a impressão de que ainda estamos léguas distantes de um cinema de qualidade. Chegam para nós boas histórias, temos bons diretores, produtores e atores, o investimento tem aumentado, o público apoia mas…ainda falta.

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O mundo fica ainda mais sem graça

Millôr não quis ficar sem o velho Chico e decidiu acompanhá-lo. Vão-se dois dos grandes. Mestres na arte do humor como crítica social.

“Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo.” Millôr Fernandes

“Não tenho medo de morrer. Tenho pena.” Chico Anysio

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Chico – artista

Um dos maiores compositores desse país fez show esse mês em SP. Chico Buarque é um excepcional artista mas definitivamente seu forte não é o palco.

E mais uma vez, a casa de espetáculos responsável não dá valor ao público, garantindo-se somente às costas do artista como foi da outra vez. Leia aqui mesmo http://fabioeuk.org/fabioeuksuzian/artigos/infernal-comedy/

Dessa vez foi o HSBC: serviço de vallet caótico e caro além do tradicional aperto para se sentar (para que se caibam mais pagantes) e somente uma porta de saída para evasão de milhares de pessoas ao final do show.

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Controlar ou Roubolar?

Acabo de pagar revoltado a taxa do Controlar de meu carro que não tem nem 3000 km – e para o Kassab foi só passar uma semana em Buenos Aires e voltar como se nada tivesse acontecido.

Publicado pelo Estadão:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,esquema-suspeito-da-inspecao-foi-copiado-no-rn-,803813,0.htm

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Homenagem póstuma a Lucio Dalla

No último dia 1º, faleceu subitamente e ainda jovem, de ataque cardíaco três dias antes de completar 69 anos (em minha opinião deveriam ser contados os 9 meses de nossas gestações) o cantor, compositor, tecladista e clarinetista italiano Lucio Dalla.

Amigo pessoal de Chico Buarque que interpretou uma de suas canções em Minha História.

Viveva in mezzo alla gente era um de seus lemas e que era aplicado pelas ruas e bares de Bolonha onde nasceu e morava. Divulgou por meio século a música popular italiana por todo o mundo.

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